Publicado por: marianepoli em: 24 de maio de 2012
A criançada toda tava na rua. Olhinhos pra cima. A expectativa é que parecia dançar no ar.
Era hoje que receberiam seus primeiros computadores.
É fato conhecido que quando se completa nove anos eles vem pra você. Caem do céu e se apresentam ao seus novos donos como gênios da lâmpada. Atiram-se de de paraquedas do canto especial do paraíso onde são fabricados.
Cada um ganha o seu, feito todinho pra te satisfazer. A cor favorita. O jogo predileto. A interface que conversa com o seu perfil na escola. Antenado.
Olavinho nem se aguentava em pé. Nunca tinha visto um computador antes. Ele ficou pulando entre a multidão, tentando ver a chegado por cima do ombro dos moleques mais altos.
Se pudesse e tivesse chance de escolher o seu viria todo prateado, formato de foguete, joystick a parte. Mas não tava muito preocupado. O pessoa da fábrica sempre parecia acertar o gosto de cada criança.
Essa coisa de tecnologia era meio rara na casa do do menino. Seu pai era rígido. “põe a mão em nada que você vai quebrar! E aí? Quem vai pagar?”. O Olavinho é que não ia, ele nem tinha emprego. Até que ele queria um, pra poder mexer nas máquinas. Mas tinha que ter muito mais que seus nove anos. Pelo menos agora ele ia ter um computador.
Foi o Silas que viu primeiro. “Ó os pontinho lá no céu!”.
Todo mundo começou a gritar, pular. Foi uma bagunça tão grande… Olavinho quase nem conseguiu os ver aterrizando suavemente nas casas da vizinhança.
A Dora foi a primeira. Ele não viu a cena dela pegando. Era muito menor que todos os outros e tapavam sua visão. Mas ouviu o gritinho estridente: “É ROSA!”.
No fim sbrou só ele na rua. Mas não sobrou paraqueda.
Antes que Olavinho pudesse se sentir desolado e sentasse no chão pra chorar, o Tico apontou o erro: “O seu ia cair primeiro, mas aí o da Dorinha se meteu na frente e empurrou pra longe! Lá pra cima daquele morro!”.
“E que cor era?”
“Sei não. Mas brilhava”.
Era prateado. Só podia.
Ele queria sair disparado, mas não tinha como ir pro morro sozinho. As pernas dele eram curtas de mais pra subir toda aquela montanhona de terra.
Então ficou morrendo de preocupação. E se o computador sentisse falta dele? E se fosse adotado por alguém que põe o dedo melecado na tela? Alguém que desliga da tomada antes de esperar as atualizações serem instaladas?
Tinha que haver um jeito de salvá-lo.
O bairro todo fez mutirão. Salvar o computador do Olavinho. Perdido depois do morro. Teve carreata. Abaixo Assinado. Rifa. Caminhão.
E aí eles acharam.
Tava meio caidinho, o coitado. Dias procurando, abandonado no vento. Mas ele cintilava.
Olavinho quase explodiu. Todo mundo achou que esse era o computador mais lindo de todos e em poucos dias todo mundo tinha certeza que era o mais pontente e admirável tambpem.
Não basta que o computadores caiam de paraquedas na vida das pessoas. Tem que saber procurar.
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